quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ponto de Repouso

Marmóreo o meu leito? Ainda não.
Me esbaldo em colchões mais resilientes
Das gentes com quem vivo, da razão
Que cerca o que creio, ainda que descrente.

Gelado o meu repouso? Nem por nada
A vida não me é clemente, mas é mestra
E nessa mescla de viver e ser vivido
Sempre presto atenção no arranjo e notas

Que notas em mim, portanto és cúmplice
Cumpriste tua parte e eu a minha
Com um pé na sala, outro na platéia da ladainha
Sempre uma Eurídice silente.

Epicuro não me faz de si discípulo
Escapulo dessa ratoeira tola
Mas a essência do que vivo, essa mola
Me arremessa a distância respeitável.

Serei memorado, não memorável,
Serei lembrado por algumas coisas poucas
Nem lembráveis pelo que tinham de instável
Nem marcantes, pois nem eram assim loucas

E retorno a um leito, não repouso
Não o seria só por ser aonde pouso
Mas um plano, um equilíbrio intermediário
Onde escrevo, letra a letra, o meu diário.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

CEMITÉRIO



SOBRE O IMACULADO VÉU DA MORTE
SUCUMBINDO INERTE EM MINHA CRIPTA
ATRAVÉS DOS VITRAIS VEJO AO ENTARDECER
QUE HOJE VEIO A ANUNCIAR-SE
DE FORMA ESCARLATE
FINDO CREPÚSCULO QUE TRÁS A LUA
A LIBERTAR ESPÍRITOS E ALMAS PAGÃS
QUE VAGAM LIVRES NO CEMITÉRIO
EM BUSCA DE ALENTO E COMPREENSÃO
ATRAVÉS DOS SÉCULOS SEMPRE A VAGAR
NO PURGATÓRIO DE SEU PENSAR
ACORRENTADO A SUAS MAZELAS
DILACERADO POR SOFRIMENTO
APRISIONADO ENTRE DOIS MUNDOS
CUMPRINDO A PENA DE SEUS PECADOS
PUTRIFICADO
EM MEIO A SARJETA
ESPERAM APENAS QUE A DEUSA MORTE
VENHA OS LEVE
VENHA OS LIBERTE
DEI LHES A PAZ NA MORTE
SEJA NO CÉU
SEJA NO INFERNO
DESDE QUE OS LIVRE
DO CEMITÉRIO.



FELIX RIBAS

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Última Mente

Há tempos não tenho pesadelos.

Será esse
o engano dos suicidas?

O falso oásis
faz a sentinela, ao vê-lo
abandonar coragem, cancela,
atalaia
e escolher a desídia.

Essa Miragem vale mais
que a acídia?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Aperto no Coração




Aperto no Coração - Por Adriano Siqueira -

Tão apaixonado eu era que nem percebi o que estava fazendo.
Lilith pedia chorando que, se eu realmente a amava, deveria esmagar o passarinho que estava em minha mão.
Eu, com a força que tinha! Jovem, corajoso e destemido, simplesmente não conseguia fazer aquilo!
Ela se virou e me disse que eu era um fraco, um idiota!
Então, ela partiu sem dar adeus.
O tempo passou e eu agora, estava com outra mulher. Uma noite, escutei um barulho na floresta e fui investigar sozinho.
Lilith apareceu de novo... Queria mostrar que estava diferente e mais adulta do que antes. Levou-me para uma árvore ali perto e me pediu delicadamente que eu deixasse a outra mulher e ficasse com ela. Disse que gostaria de continuar compartilhando o amor que tinha comigo no passado.
Eu neguei seu amor novamente, mas desta vez ela entendeu e como prova da sua amizade ela me levou até uma grande árvore e ofereceu-me uma fruta. Experimentei... Era adorável e açucarado.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, um raio atingiu a árvore nos jogando para longe. Logo, uma tempestade se iniciou.
Quando olhei para Lilith fiquei impressionado com o que vi.
Ela estava sem sentidos, seus dentes estavam maiores e pontiagudos e seu rosto estava envelhecendo muito rápido.
Assustado, corri para casa, a tempestade estava mais forte, as árvores eram arrancadas do chão e lançadas pelo caminho.
Minha amada estava me esperando. Ela tremia muito. Nunca sentimos tanto frio. Era perigoso ficar ali. Os raios estavam acabando com tudo. Coloquei a minha amada no colo e fugi sem olhar para trás. Nada mais eu podia fazer. Então, aos poucos fui percebendo que estávamos completamente nús.
E a Lilith? Será que ela ainda está viva? Será que um dia ela vai se vingar? Bom... Depois eu penso nisso... Agora eu tenho um novo mundo para construir.

Autor: Adriano Siqueira

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Nas pegadas da menina

Se pode pensar que o norte é estar próximo
E que distante está a morte, sem orientação
Sopram ventos primavaris anunciando o verão
Do planeta, ah, a Terra! Tão pequena, e vaga
Ao que se acrescentam ondas do vasto mar
Ao que se somam os sonhos maiores de amar
Não há no mundo tão justa e perfeita paga

domingo, 1 de novembro de 2009

Meta




--A senhora reconhece algum deles? O detetive apontou através do vidro: Seis homens enfileirados. Rosa estava segurando o choro enquanto olhava atentamente, um a um.
-O terceiro.
-Tem certeza?
-Olha, certeza, certeza, eu não tenho. Sofro de miopia, não vejo bem de longe. Eu tenho certeza que os outros não são, a pele era morena como a do terceiro.
-Hum...O policial coçou a cabeça e disse ao colega: Traga o rapaz aqui, o terceiro, vede os olhos dele para que não veja.
-Não. Não precisa. Deixe ele me ver. Quero que saiba que fui eu. Não me importo. Trouxeram o rapaz e a moça apoiou o braço na parede, estava enojada, levou a mão à boca.
-Está se sentindo bem? Quer um copo d'água”? O policial percebeu sua súbita palidez.
-Não. Não precisa, obrigado. Abaixou o rosto e vomitou no canto da sala.
-Por favor Dona Rosa, diga logo e retiro o meliante, assim se sentirá melhor. Reconhece o pedófilo que estuprou sua filha?
-Não.
-Não?
-Não é ele. Tenho certeza. Saiu em direção à porta e quando passou ao lado do rapaz, parou e olhou bem nos seus olhos. O rapaz virou de costas, não queria que ela mudasse de idéia. Dona Rosa, como se tivesse planejado, o abraçou por trás enquanto, ao mesmo tempo e sem piedade, enfiou fundo uma faca afiada em seu coração. As mãos juntas, firmes, não desprendiam, por nada. O sangue jorrava junto aos gritos do bandido, os policiais tentando tirá-la e a lâmina fundo, contraindo toda musculatura do corpo que estrebuchava.
-Tira ela...solta! Num tranco tiraram Dona Rosa e a faca ficou lá, cravada fundo enquanto o rapaz agonizava no chão da sala. Dona Rosa segurou o peito e num segundo viu tudo escurecer. Enfartou ali mesmo. Enquanto faziam os primeiros socorros, a mulher abriu os olhos e sussurrou:
-Perda de tempo, eu vou morrer.
-Não. A senhora tem que reagir, fique calma. Teve uma parada cardíaca e o médico de plantão teve que usar o desfibrilador. Por sorte tinham comprado um na semana passada depois que um policial falecera por demora no procedimento.
--Ela voltou...A senhora vai ficar bem, vamos levá-la ao hospital.
-Não...deixe-me morrer. O pulso estava fraco. O policial disse:
-Dona Rosa, o pedófilo está vivo, não morreu. Ele escapou e a senhora também vai viver. Ela abriu os olhos a procura do infeliz e começou a reagir.-Pronto. Apliquei um sedativo, agora a levem ao hospital.
-Por que disse que o cara estava vivo? Ele já agonizou faz tempo.
-Ela reagiu não foi?



Me Morte

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Estou de Saída



Sei que sou denso, talvez pesado demais para ti. Talvez um fardo sofrível, então vamos nos distanciar... tu ficas no teu canto e eu no meu. Pela boa vizinhança, vamos ficar distantes, vamos fazer de conta que não existimos para o outro, pode ser divertido. Fique em tua casa e eu vou para um abismo ou montanha, tanto faz, estarei em meu território por dias ou semanas.
Tu reclamas que ando calado com olhar perdido, ouvidos desviados e com o nariz para baixo, todo pensativo e sensível ao que desconhece. Não é dor, não é desamor, nem fofoca. Não quero desabafar, nem chorar. A verdade é que o que penso e sinto não é expressível a ponto de ser captado por sentidos comuns, o que se passa por dentro de minha pessoa só eu sei.

Não adianta pedir que eu me explique, que me abra para ti, para que depois crie ou reforce dúvidas em sua mente. Não adianta eu dizer o que não é possível de entender. Minha voz e letras não dizem nada que te leve a algum lugar, meu abismo é fechado e só meu. Essa é minha profundidade e não posso te prender, portanto não se prenda a minha pessoa.
Desista de tentar desvendar um enigma tão complexo, isso só vai te tirar tempo. Umas coisas são mistérios, outras são segredos, mas todas são incompreendidas. Não quero falar, não tenho palavras belas. O que tenho é tédio do tipo para exportação, pode ser atacado ou varejo? Escolha logo sua leva, pois a concorrência é ferrenha.

Estou de saída ou em fuga, já peguei o que preciso, então não me procures e não vou te procurar. Respeite minha individualidade e privacidade ou essa será nossa última conversa. Não quero falar com a voz embargada, não quero derramar lágrimas aprisionantes e nem quero sentir o terror da perda, é melhor viver desgarrado, mas não sem antes levar um abraço apertado.
Sou livre e não vou mudar, essa é minha condição, não tente me parar. Não sou doméstico e nem dependente, então esqueça os grilhões ou amarre-se neles. Eu vou embora. Irei me aventurar e trarei façanhas e cicatrizes lindas. Enquanto eu não voltar estaremos juntos pela mente.


- Mensageiro Obscuro.
Setembro/2009.


Foto: Montanhas (sem referência).

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

...



Na Foto:Camila Gatis(poema decicado a mesma)
-


Tecidos

Dos tecidos,aos céus
comovendo os deuses
numa eternidade sem véu
atenta e breve as vezes.

A constelação de Cepheus
embrandece ao te receber;
Cassiopéia dos olhos de fel
inveja-te a beleza ao anoitecer.

porque és belamente
livre,sem rumo,e sempre
entrelaçada a sacudir.

és uma estrela cadente
que a gente sente
que nunca vai cair.

Por Emerson Sarmento.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Radicais Honorários







ME MORTE

Nome verdadeiro:
Desconhecido
Base de operações:
Vale das Sombras
(Limbo Dimensional)
Altura: 1,70m Peso: 56 Kg
Olhos: Amarelos Pele: Jambo

Poderes & Armas:

ME é um ser sobrenatural, com força e agilidade sobrehumanas, seus poderes se baseiam nas sombras e sua principal arma é uma foice que corta a energia vital do adversário, ou seja, cada golpe faz envelhecer 10 anos... Ela também usa as sombras para abrir portais entre as Dimensões, precisa retornar constantemente para o Limbo Dimensional conhecido como "Vale das Sombras" para recarregar seus poderes.


Histórico:

Existe um Limbo Dimensional chamado "Vale das Sombras", um lugar de escuridão onde almas negativas são contidas e somente poucos tem poder para sair... As almas que conseguem fugir, se transformam em sombras vivas, vampiros psíquicos que se alimentam de emoções negativas:
Ódio, Inveja, Cobiça, etc...

As Sombras fomentam a maldade no coração dos seus hospedeiros humanos e quanto mais atos cruéis são cometidos, mais fortes as Sombras ficam. ME MORTE é uma caçadora de sombras, seu trabalho é encontrar as almas fugitivas e devolvê-las para o "Vale das Sombras", se possível, salvar o hospedeiro, mas para isso ele deve querer expulsar a Sombra de seu corpo, a maioria não consegue abrir mão do poder e acaba sendo banida para o Vale junto com a Sombra.

ME tem preocupação especial com as crianças, pois o sacrifício de inocentes é considerado um prato saboroso pelas Sombras.


Arte de LUCASI

domingo, 25 de outubro de 2009

PERFORMANCE DA LÁGRIMA



PERFORMANCE DA LÁGRIMA


Escurece o amannhecer
lágrimas
os cílios do sol ruminam
onde estou?
onde vou?
carências...
eu e meu cão passeamos ao largo
cego, me vi em soluços
encontrei a fórmula
descobri riachos
me afoguei no lago
ele passa e carrega o barulho da felicidade, e eu?
perco-me em pensamentos inválidos
performance de uma estrutura sem mérito
estou nu,
vestido de sobrancelha
estou nu
atravessando ruas


** Gaivota **




* * *

sábado, 24 de outubro de 2009

do amor por ti





nada no mundo é só meu
nem mais sou que ninguém
resto já o pó a que retornarei

sem tua licença te amei
sem teu perdão, te amo
por muito ainda te amarei





quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ROSA DE SANGUE- GABRIEL RÜBINGER

Saudações! Aproveito o espaço para divulgar um grande soneto do mineiro Gabriel Rübinger. O texto apresenta algumas características neobarrocas que facilmente serão compreendidas por amantes da literatura trevosa. Eis o soneto:





ROSA DE SANGUE

Tu és uma rosa, uma cândida rosa,
Que do Éden brotou em uma sagração.
Uma graça proibida, áspide nebulosa,
Infinita beleza vinda em profusão.

Forma perfeita e pura, luzente, briosa,
Glosa do mais belo fruto da Criação!
Rosa grã e lasciva, ó ardente rosa!
Meu caminho errado, minha perdição...


Rosa de diamantes, brilhantes astros,
De milhares de faces, de ausentes rastros,
És um manto litúrgico embriagador!

Rosa sólida e frágil, vívida e exangue,
Em carne e amor, minha rosa de sangue,
Meu cometa errante, distante da dor.

Gabriel Rübinger



A reportagem que fiz sobre o soneto se encontra em: http://www.opiagui.com.br/2009/10/o-sangue-do-pecado-e-do-martirio/



COMUNIDADE GABRIEL RÜBINGER
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=95296090&refresh=1
 
 
PÁGINA DO ESCRITOR
http://recantodasletras.uol.com.br/autor_textos.php?id=20577&categoria=Z
 


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

MERGULHAR SEGREDOS



Sombria noite que de mim se esconde
revele-me meus desejos
que respingaram do tempo
perdendo-se em seu negrume.

Permita-me penetrá-la,
fundir-me em suas obscuras certezas
e navegar suas profundezas
junto às mais rasas de minhas dúvidas.

Queria saber o segredo do claro que oculta
e a razão desta teia que me prende ao dia.

Preciso entender porque as estrelas estão se apagando
e os sonhos me abandonando.

Deixe-me mergulhar suas trevas
para que eu possa descobrir a saída.

E não me prive de uma nova chance de ver o brilho na escuridão.

Sombria noite que de mim se esconde,
esqueça que não sou mais menino
e não a temo mais.

Devolva minhas fantasias.


(Celso Mendes)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Você esqueceu do que era importante


Você quis tanto fazer algo maior que a vida
Que acabou esquecendo dos crepúsculos
Que costumávamos a ver sozinhos...

Oh querida, Tu sempre esteve parada ai...
Tão quieta e fria, assim como tem sido
Minhas noites sem você,
Nunca realmente amanheceu.

Eu apenas era iluminado pelo
Teu sorriso que costumava
A deixa-me tão alegre...

Se ao menos eu tivesse
As palavras certas
Eu traria você de volta aqui.
Breno Filth

domingo, 18 de outubro de 2009

Dinastia

Toma o dom desta oferenda:
fecha os olhos, ergue o queixo
sente os dentes na garganta.
O presente que te deixo
é a força, amor, que espanta
esta dor que te atormenta.

Não há pena, te asseguro,
Pra quem vença a própria morte
(não há deuses, nem inferno).
Te farei minha consorte,
Serei teu marido eterno:
Reinaremos no escuro.